Na sexta-feira, 10 de abril, um policial penal foi arrancado de seu carro, jogado ao solo e agredido por guardas municipais e policiais militares durante uma abordagem truculenta em Guarulhos. O caso não é apenas mais um episódio de violência, é a prova de que o desrespeito do governo de São Paulo com a Polícia Penal pode ter consequências trágicas. A falta de uma identidade funcional padronizada para os policiais penais não é detalhe menor. Em abordagens como a que ocorreu em Guarulhos, tanto guardas municipais quanto policiais penais estão armados. Sem padronização, sem identificação clara, sem respeito institucional, o risco de um desfecho trágico é real. 

O policial penal, que atua na Penitenciária II “Desembargador Adriano Marrey” de Guarulhos e está de licença-prêmio, circulava pela Avenida Tiradentes no Jardim Bom Clima, quando foi abordado pela Guarda Civil Metropolitana. Ele parou, desceu os vidros, levantou as mãos e se identificou como policial penal. Nada disso importou. A GCM o ignorou completamente. Quando tentou explicar que não podia sair do veículo porque estava em um declive e o carro estava ligado, um PM o arrancou à força do automóvel e o jogou ao chão. Ele conta que seus óculos foram quebrados, seu ombro foi torcido e um dos agentes pisou em suas costas. 

O policial penal conta que informou, durante toda abordagem, que é policial penal, mas ninguém ouviu. “Em todo momento eu falava que era policial penal, mas eles me ignoraram. Após verificação, eles mandaram eu ficar no chão. Eu disse que não ia ficar no chão porque não sou criminoso. Depois que foi verificado toda a documentação, um policial militar veio me dizer para apaziguar a situação e eu disse que iria para o Distrito Policial registrar o BO”, contou. 

O policial penal informou que durante a abordagem um dos policiais militares foi extremamente agressivo e desrespeitou a Polícia Penal e seus integrantes. “Ele falava que a Polícia Penal é babá de preso, correria de ladrão, que agora é polícia, mas não tem força de polícia”, narrou.

O procedimento viola frontalmente a Portaria SSP 75 de 2020, que estabelece protocolos específicos para abordagem de policiais. Mas qual é o problema real aqui? O policial penal não tem uma identidade funcional padronizada. Até hoje, em 2026, a Secretaria de Administração Penitenciária não providenciou um documento que identificasse claramente esses profissionais. Resultado: um servidor do Estado é tratado como suspeito comum, agredido, humilhado e deixado no chão por dez minutos enquanto seus agressores o destratavam verbalmente. 

O comportamento da GCM e da PM nessa abordagem reflete o descaso com que o governo Tarcísio trata a Polícia Penal, deixando a corporação e fora dos projetos de valorização das forças policiais e demorando mais de ano para implementar a nova funcional e o novo uniforme da categoria. 

O sindicato vai dar toda a assistência ao policial agredido. Vai cobrar das autoridades que tomem as devidas providências. O Sinppenal vai entrar em contato com a direção da Guarda Municipal de Guarulhos e com a ouvidoria das Polícias para cobrar providências imediatas. Vai acompanhar o policial penal no registro formal do caso e vai oficiar a Polícia Militar e as guardas municipais de toda a região metropolitana pedindo a adoção de um procedimento padronizado de abordagem para policiais penais. 

A falta de uma identidade funcional padronizada e de valorização da recém-criada força policial não é um detalhe administrativo. É uma sentença de vulnerabilidade. É o Estado dizendo que o policial penal não merece nem ser reconhecido como tal. E quando ninguém sabe quem você é, qualquer um pode fazer com você o que a GCM e a PM fizeram em Guarulhos.

Recomendamos a todos que acesssem esse link ,leiam a resolução Nº75/2020 da SSP e fiquem cientes de seus direitos