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Dissertação de mestrado de Fernando Apolinário, que atua há nove anos no CPP de Valparaíso, se tornou referência internacional e aborda relação e conflitos entre profissionais de saúde, presos e agentes de 19 unidades da região oeste do Estado

 

Apresentar evidências científicas dos conflitos que os enfermeiros enfrentam ao realizar os cuidados da saúde de pessoas presas, comparando o trabalho dentro e fora dos muros é a base da pesquisa realizada pelo servidor Fernando Apolinário. O trabalho aborda  dificuldades do exercício de algumas funções de serviço público que se exige legalmente que o Estado forneça para, com isso, poder manter as pessoas sob o regime prisional.

Foi a partir dessa premissa que o servidor de 38 anos, que se dedica desde 2009 ao setor de enfermagem do Centro de Progressão Penitenciária(CPP) de Valparaíso, desenvolveu sua dissertação de mestrado na Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista(UNESP) de Botucatu. A dissertação se tornou um livro, já publicado em inglês e lançado em dezembro de 2017.

“Percebi que havia muita diferença na forma de lidar com um paciente em uma unidade básica de saúde ou unidade de terapia intensiva e a realidade da unidade prisional, onde além de ter de cuidar da saúde do detento você precisa estar atento às regras de segurança e disciplina da unidade, dialogando de forma nem sempre harmônica com os responsáveis por esse setor”, relata o enfermeiro e escritor.

Para o trabalho, o servidor fez entrevistas com 35 colegas de profissão de 19 unidades prisionais distintas, todas elas pertencentes à Coordenadoria Penitenciária da Região Oeste do Estado de São Paulo.

A tese obteve enorme repercussão junto à comunidade científica internacional, que publicou o trabalho do enfermeiro na revista Imedical Society com o título Challenge And Perception Of The Meaning Of The Nurse’s Job In The Brazilian Prison System. Em português, a dissertação intitulada SIGNIFICADOS ATRIBUIDOS POR ENFERMEIROS À ASSISTÊNCIA QUE PRESTAM A INDIVIDUOS EM SITUAÇÃO PRISIONAL está disponível gratuitamente para leitura no link: https://repositorio.unesp.br/…/…/11449/108572/000755489.pdf…

Finalmente, em 26 de dezembro último, o servidor conseguiu transformar a tese em um livro, lançado pela editora LAP Lambert, da Alemanha. O conteúdo impresso foi lançado apenas em inglês e está disponível para compra neste link

Ainda em busca de reconhecimento de seu trabalho no Brasil, Fernando Apolinário - agora cursando doutorado pela mesma UNESP - concedeu entrevista exclusiva ao SIFUSPESP, onde relata os desafios de lidar com a população privada de liberdade e o relacionamento com os agentes de segurança penitenciária dentro da ética e das responsabilidades que envolvem a profissão.

 

Imprensa SIFUSPESP: Como surgiu a ideia inicial de fazer esse livro?

Fernando Apolinário: Esse livro é fruto da minha dissertação de mestrado e surgiu do  início do meu trabalho como enfermeiro no sistema prisional, quando me deparei com os contrastes que existem nesse sistema.

Tendo a experiência de prestar assistência a pessoas fora da prisão, comecei a questionar o que significava a assistência de enfermagem para os privados de liberdade e para os enfermeiros que os atendiam.

A minha pesquisa de mestrado buscou evidências científicas dos conflitos éticos e bioéticos que os Enfermeiros enfrentam para realizar os cuidados em saúde da pessoa privada de liberdade

 

Imprensa SIFUSPESP: Você trabalhava anteriormente em outro tipo de atendimento à saúde?

Fernando Apolinário: Eu trabalhei muito tempo na Unidade de Terapia Intensiva(UTI) de um hospital da Santa Casa de Adamantina, além de trabalhar no Pronto Socorro Municipal e no Centro de Saúde de Andradina, ambas no interior de São Paulo.

 

Imprensa SIFUSPESP:  De que maneira o seu olhar para esse trabalho mudou antes e depois de vivenciar essas experiências?

Fernando Apolinário: O resultado da pesquisa mostrou que dentro do sistema o enfermeiro necessita ter outros conhecimentos que vão além dos problemas de saúde.

Em Unidade Básica de Saúde o enfermeiro cria um vínculo com o seu paciente, pois este faz parte da ação da assistência do enfermeiro, que busca nesta relação promover seus cuidados, tais como a educação em saúde, a adesão ao controle de tratamento principalmente das doenças crônicas.

Já na Unidade Prisional não existe esse vínculo, essa aproximação com seu paciente, não existe toque, aperto de mão, isso tudo contrasta muito com a realidade de saúde pública externa.

 

Imprensa SIFUSPESP: Que tipo de desafios diferentes dos encontrados fora dos muros o enfermeiro precisa enfrentar quando lida com a população presa?

Fernando Apolinário: Os desafios que minha pesquisa evidenciou se deram principalmente na relação não muito harmoniosa com a Segurança e a Disciplina das unidades. Os dados colhidos nos lugares que visitei mostraram que há um contraste entre esses dois setores.

Estamos falando de unidades de sistema fechado, e assim o objetivo é que o preso não fuja ou não cometa um ato de indisciplina ou uma rebelião. Mas o que evidenciamos é que nem sempre os conflitos que existem entre as pessoas envolvidas tem a ver com a segurança.

Acredito que ela acontece porque existe uma visão própria dos funcionários da segurança com relação à pessoa privada da sua liberdade, por exemplo, quanto ao excesso de atenção destinada por nós da saúde aos presos, ou quando eles estão circulando muito pela unidade. Os agentes não concordam porque eles têm uma visão diferente.

Assim, os enfermeiros relatam que há dificuldade em prestar a assistência por verem que existe uma diferença cultural no olhar dos agentes penitenciários, muito mais do que uma questão de segurança.

Outro aspecto que evidenciamos que acho de extrema importância para a profissão dos enfermeiros é “o que” significa cuidar de uma pessoa presa. Na minha opinião, o trabalho foi incrível, porque os enfermeiros têm um olhar de cuidador, uma visão de prestar o cuidado indiferente da condição de detento.

Contudo, o trabalho também evidenciou que para realizar a prática do cuidado os enfermeiros muitas vezes praticam ações que vão além de suas atribuições técnicas nas unidades onde o profissional médico está ausente, evidenciando mais uma vez como o enfermeiro preocupa-se com o cuidado da pessoa humana.

 

Imprensa SIFUSPESP: Quais melhorias você acha que precisam acontecer no sistema prisional para que os enfermeiros e outros profissionais de saúde possam ter melhores condições de trabalho? Mais treinamento, aumento do número de funcionários, redução da superlotação? Que outros fatores você considera fundamentais para essas mudanças?

Fernando Apolinário: O sistema tem crescido a cada dia, os problemas são inúmeros, e a sociedade precisa saber o que se passa dentro das unidades prisionais. A população precisa saber não só sobre a questão da violência, das apreensões e das rebeliões.

Existe dentro da unidade uma gama de profissionais realizando um trabalho fenomenal que precisa ser reconhecido. Um exemplo desse trabalho é o controle e o acompanhamento que são realizados para os presos que são doentes crônicos, entre eles hipertensos, diabéticos, e os que fazem tratamento de HIV.

Os enfermeiros realizam testes rápidos onde o diagnóstico da contaminação pelo vírus da AIDS pode ser feito na hora. Existe ainda um trabalho premiado pela Secretaria Estadual de Saúde, que é o controle da tuberculose, doença muito comum entre os presos que pode afetar a todos os que atuam no sistema.

Para mim, as melhorias começam com o reconhecimento desses profissionais, reconhecimento de que os funcionários da saúde são funcionários do Sistema Prisional. Assim, eles são tão importantes quanto os agentes que tratam da segurança e da disciplina.

Esse reconhecimento precisa vir também com o pagamento de salários dignos diante da complexidade que é a prática assistencial de saúde dentro de uma Unidade Prisional.

Digo isso pois esse trabalho vai muito além de entregar um comprimido a um preso. É preciso oferecer aos profissionais da saúde e ao corpo funcional como um todo treinamento e capacitação. Só assim teremos melhores condições de agir.

 

Imprensa SIFUSPESP: Quais são os próximos passos do livro?

Fernando Apolinário: Agora a ideia é buscar uma editora que se interesse em publicar o livro no Brasil e assim poder atingir um público mais amplo de enfermeiros, técnicos de enfermagem e pesquisadores da área de saúde para que eles tomem contato com a realidade do sistema prisional e possam se interessar cada vez mais pelo que acontece dentro dos muros.

 

Biografia - Fernando Henrique Apolinário

  • Enfermeiro da Penitenciária de Valparaíso desde 2009
  • Formado em Enfermagem pelo Centro Universitário de Adamantina
  • Mestre e Doutorando em Enfermagem pela Universidade Estadual Paulista(UNESP) de Botucatu 

 

 

O Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional do Estado de São Paulo (SIFUSPESP) comunica com profundo pesar dois falecimentos ocorridos na noite desta última quarta-feira, 17/01.

As inestimáveis perdas sofridas  foram das vidas dos senhores Keller Rett, ainda aluno do Curso de Formação Técnico-Profissional para ASP da Escola de Administração Penitenciária (EAP) e do Diretor do Centro dos AEVPs, Cristiano Passos, lotado CDP de Jundiaí.

A diretoria do sindicato, assim como demais companheiros da categoria se solidarizam com a dor dos familiares, amigos e dos que com ele conviveram, rendendo homenagens.

 

 

O velório de Cristiano Passos acontecerá no Velório Municipal de Caieiras, a partir das 17h de hoje. O endereço é a rua Padre Aquiles Silvestre, nº 80.

O enterro acontece amanhã às 10h no Cemitério Jardim Caieiras, que fica ao lado do velório.

 

O corpo de Keller Rett está sendo velado no Velório Terra Branca, sala 2, localizano na rua Gerson França, n° 5-55, no centro da cidade de Bauru.

O sepultamento acontece na sexta-feira, às 11h, no Cemiterio Parque Jardim Dos Lirios.

 

 

A sede regional do SIFUSPESP na Baixada Santista não terá expediente na próxima sexta-feira, 19/01, em virtude do feriado em que é comemorada a emancipação política de Praia Grande, onde fica o sindicato.

Praia Grande se tornou município somente em 1967, quando se desmembrou administrativamente de São Vicente.

Os atendimentos jurídicos com o Dr. Jair Rodrigues de Lima, que tradicionalmente acontecem às sextas-feiras, foram antecipados para amanhã, quinta-feira, das 8h10 ao meio-dia.

As atividades na sede serão retomadas normalmente na próxima segunda-feira, 22/01.

 

Sifuspesp apoia iniciativa e conta com união dos servidores para aumentar pressão sobre governo do Estado

 

Indignado com a proposta de reajuste salarial de 3,5% feita pelo governador Geraldo Alckmin(PSDB) para o funcionalismo público, um agente de segurança penitenciária(ASP) que há 26 anos trabalha na Penitenciária de Presidente Prudente organizou uma petição pública para mobilizar a categoria a exigir um aumento digno e condizente com a dedicação dos funcionários ao bom funcionamento das unidades prisionais paulistas.

A ideia de Rosalvo da Silva surgiu diante do que ele via como “falta de mobilização da categoria”. “Na minha opinião essa proposta é uma ofensa a todos nós, e por isso eu resolvi debater com os colegas essa indignação e criar esse abaixo-assinado para fomentar a discussão entre os agentes e ao mesmo tempo construir em conjunto um documento que pode demonstrar que estamos sim mobilizados”, esclarece.

Iniciada na noite do último domingo, a petição pública já conta com cerca de 1.500 assinaturas e pode ser acessada pelo link: http://www.peticaopublica.com.br/pview.aspx?pi=BR104064

No texto que acompanha o abaixo-assinado, Rosalvo esclarece que o governo do Estado descumpre a Constituição Federal ao não garantir aos servidores ao menos a reposição inflacionária anual, que se fosse seguida à risca teria de fornecer aos funcionários do sistema prisional 32% de aumento. Esse percentual leva em consideração o último reajuste, concedido ainda em 2014.

Após a coleta de assinaturas, o ASP pretende aproveitar o retorno ao trabalho dos deputados estaduais para em conjunto com os sindicatos ir à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo(Alesp), protocolar o documento e mobilizar os servidores do sistema prisional para dialogar com os parlamentares sobre um aumento realmente digno.

Apesar de proposto por Alckmin, o reajuste de 3,5%, a ser dado a partir de 1 de fevereiro, ainda precisa passar pelo crivo dos deputados.

“Eu fico espantado de ver a falta de luta, a falta de ação e de politização dos companheiros. Mas nem todos estão satisfeitos com essa ofensa anunciada pelo governo, e por isso eu me mobilizei. E conto com apoio dos sindicatos, porque sei que esse respaldo vai auxiliar para que mais pessoas assinem o abaixo-assinado e compreendam tamanha indignação”, relata Rosalvo Silva.

O presidente do SIFUSPESP, Fábio César Ferreira, o Fábio Jabá, elogiou a iniciativa do ASP e colocou o sindicato à disposição para amplificar o movimento. “Quando um servidor toma uma atitude como essa é preciso estender a mão a ele e seguir em frente com o movimento, utilizando da organização sindical para fazer essa iniciativa repercutir junto à categoria e uni-la ainda mais em torno dessa bandeira fundamental, que é o reajuste digno. Tal atitude prova que os trabalhadores não estão acomodados e farão valer os seus direitos sem temer. Todos que assim agirem podem contar conosco”, explica Jabá.

 

 

SIFUSPESP presta auxílio a família do servidor durante visita a hospital(foto) onde ele está internado, em Avaré

 

O agente de segurança penitenciária(ASP) e associado ao SIFUSPESP Vaulei de Barros Camargo sofreu um acidente motociclístico ao sair de seu plantão noturno em Itaí nesta terça-feira, 16/01, no traslado da Penitenciária de Itaí, onde está lotado, para sua casa. O ASP está internado na Unidade de Terapia Intensiva(UTI) da Santa Casa de Misericórdia de Avaré.

Por meio de seu secretário-geral, José Ricardo Mesiano, o SIFUSPESP esteve nesta quarta-feira conversando pessoalmente com a esposa de Vaulei, dona Roseli Camargo, quando colocou o sindicato à disposição dela e de seus familiares, com os referidos préstimos sindicais e profissionais. 

Valuei disse à esposa que sua moto teria sido jogada para fora da pista por um caminhão. Ele quebrou as duas pernas, mas seu quadro clínico é estável e ele não corre riscos.

O SIFUSPESP agradece aos associados Hélio e Marquinho e ao Núcleo de Pessoal da unidade onde Vaulei trabalha pelo auxílio dado para que chegássemos ao hospital e até dona Roseli, que já está com os telefones e nomes dos diretores do sindicato, que podem auxiliá-la e orientá-la.

Após fazer a visita emergencial ao funcionário acidentado, o secretário-geral esteve na nova sede regional do SIFUSPESP em Avaré, onde conheceu as novas instalações. Os servidores que precisarem de qualquer orientação ou auxílio do sindicato podem se dirigir à regional na rua Piauí, nº 1.315, no Centro.

SIFUSPESP, mão Amiga sempre presente!!!

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O Sistema Prisional possui um tesouro, um grande número de funcionários que são extremamente capacitados e criativos, o sistema ganha muito oferecendo oportunidades para estes potenciais.  

 

Lívia Barreiro da Silva, “Agente de Segurança Penitenciária com muito orgulho”. Esta foi a frase de Lívia agregada a uma postagem numa rede social, enaltecendo a categoria da qual pertence e afirmando que escolheu conscientemente a profissão.

Diferente do discurso de senso comum da categoria prisional, o famoso “não fazia ideia de onde estava se metendo”, Lívia escolheu a carreira, inspirada no seu pai, Italo Alves da Silva, também ASP. Com um currículo brilhante e uma carreira longa no funcionalismo público, embora ainda seja jovem, a agente é uma mulher que se empenha em fazer muito além do trabalho, tendo em suas histórias várias atividades voluntárias, sempre pensando no benefício da própria categoria do sistema penitenciário e no fortalecimento da mesma.

Possui três especializações pela Cruz Vermelha Brasileira, é credenciada na Polícia Federal nas disciplinas de radiocomunicação, vigilância, prevenção e combate a incêndio, primeiros socorros, gerenciamento de crises, relações humanas no trabalho, noções de criminalística e técnicas de entrevista, sistema de segurança pública e crime organizado, e uma ampla visão de como o Sistema Penitenciário funciona.

Lívia conta que seu pai a incentivou a sempre estudar e buscar as mais diversas fontes de conhecimento para que fosse mais eficiente em qualquer trabalho que viesse a exercer. Ela foi em busca de diversas formações. Ingressou no serviço público ainda com 18 anos na Polícia Militar e depois passou por outros trabalhos do funcionalismo.

“Foram diversos concursos, sendo os que assumi foram oficial administrativo na Secretaria de Administração Penitenciária (SAP), agente na Fundação CASA, secretária de escola na Secretaria da Educação, Agente Técnico na Prefeitura de São Paulo e o último em 2010 regressei à SAP como Agente de Segurança Penitenciária”, onde estou até hoje, contou Lívia

Ela enfatiza que assumiu este cargo sabendo muito bem as suas funções e o manejo das mesmas. Seu pai é agente penitenciário há 20 anos e foi sua grande inspiração. Atualmente a ASP encontra-se lotada no Centro de Detenção Provisória de Santo André. Na mesma região desenvolve diversos projetos, entre eles cursos, todos de maneira acessível.

Formada em Educação Física, durante o percurso de suas carreiras concluiu várias  especializações, tais como Instrutora de Trânsito credenciada pelo DETRAN/SP. Especialização usada hoje em favorecimento do trabalhador penitenciário.

“Devido a esta especialização em parceria com outro docente fizemos um projeto no CDP de Santo André na Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho (SIPAT). Montamos o Curso de Pilotagem Defensiva para Motociclistas. Este curso também foi realizado voluntariamente em algumas unidades prisionais, já que existe uma preocupação de diminuir o número de mortes de companheiros no trânsito”, ela explica.

Existem dados estatísticos de que é maior o número de óbitos de funcionários por acidente de motocicleta durante o percurso do que por arma de fogo.

“Neste sentido caminha também o projeto de Direção Defensiva para Condutores de Transportes de Reeducandos que ainda está em análise para ser realizado na Escola da Administração Penitenciária (EAP). Entretanto, já realizamos com todos os motoristas do CDP de Santo André”, conta  a ASP.

Todas essas idéias e projetos veem com a expectativa de melhorar a saúde e bem estar dos funcionários e a qualidade de vida deles quando desempenham suas funções. Além de tudo isso, Lívia é Bombeiro Civil Voluntária na cidade de Embu Guaçu, onde trabalha nos dias de folgas. Na mesma cidade é instrutora do curso de formação de novos bombeiros.

Entre as demais especializações no currículo da ASP estão a de Instrutora da “STS Defense International” realizada fora do Brasil, ou seja de Instrutora de Emergências Táticas. Ela tem pretensão de aplicar todo o conhecimento que adquiriu nas turmas de formação da EAP, onde já é docente na Disciplina de Prevenção e Combate a Incêndio e Socorrismo à quatro anos.

 

Servidor a serviço do servidor

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Para a Agente de Segurança Penitenciária Lívia Barreiro da Silva, a Secretaria de Administração Penitenciária possui funcionários com conhecimentos fantásticos, entretanto eles acabam ficando escondidos nas unidades onde trabalham e não são vistos. Muitas vezes realizam trabalhos voluntários que não chegam ao conhecimento nem ao mesmo dos companheiros das demais unidades.

“Hoje o perfil da grande maioria dos funcionários são de se evoluírem e se destacarem como pessoas capacitadas, com conhecimento em diversas áreas, porém estão apagados, não se mostram. A SAP perde muito com falta de união do corpo funcional”, diz Lívia. .

Ela trabalha como instrutora de um grupo chamado GOC, Grupo de Operações Carcerária, formado por vários agentes penitenciários de vários estados que reúnem-se para trocar conhecimentos voltados para a área do sistema penitenciário. Uma interessante iniciativa de junção de conhecimentos, aprendizagem e aproveitamento.

“Fazemos "vaquinha" para trazer instrutores renomados para o Estado de São Paulo e termos instrução da mais alta qualidade. Neste grupo estão agentes de vários estados do Brasil. Também fazemos diversas arrecadações com a finalidade de ajudar os funcionários que se acidentaram no período de trabalho. Promovemos cursos básicos com a arrecadação voltada diretamente para quem está com dificuldades financeiras devido aos acidentes que são muito comuns”, explana.

Dentro desta iniciativa fantástica, ainda sem local para realizar os cursos, os participantes do GOC buscam sítios para alugar, e até mesmo acampam em matas fechadas para realizar os cursos ali mesmo. Os treinamentos são de técnicas no uso de algemas, recaptura de foragido, intervenção, primeiros socorros entre outros. Todos os cursos são certificados e de custo baixíssimo.

 

 

Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional do Estado de São Paulo reúne-se com diretoria da unidade levando as demandas das agentes penitenciárias

 

A Penitenciária Feminina de Pirajuí recebeu a visita do Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional do Estado de São Paulo (SIFUSPESP) representado por componentes de sua diretoria, destacando a Agente de Segurança Penitenciária (ASP) Stella Kulaif Moreira, diretora de base da região e a vice-presidente Márcia, naquele momento representando a base feminina da categoria. Junto à elas o diretor jurídico Wellington Oliveira, o secretário geral José Ricardo de Oliveira Mesiano e o primeiro secretário Reinaldo Duarte Soriano.

A visita aconteceu na última quarta-feira, dia 10/01, a primeira do ano e faz parte do calendário de 2018 do SIFUSPESP que pretende atender ao chamado da categoria para estar nas unidades prisionais cobrando dos diretores gerais dos presídios melhorias de trabalho, atendendo as queixas do trabalhador penitenciário.

Os diretores do sindicato foram recebidos pela diretoria geral da unidade, realizando uma reunião para ouvir as dificuldades trazidas pelas ASPs. Segundo Stella, a diretoria geral da penitenciária comprometeu-se em verificar as situações levadas, demonstrando abertura e cooperação.

 

Stella ainda afirma que visitas como esta trazem credibilidade e força ao sindicato e são sempre benéficas, principalmente para as ASPs que sentem-se desamparadas em relação às suas necessidades. “Essa credibilidade foi se perdendo com o tempo e a nova administração do SIFUSPESP pretende retomar com ações desse tipo”, assegurou ela.

 

A mulher ASP e a Penitenciária feminina

Uma penitenciária feminina tem grandes diferenças se comparadas com uma masculina. Mulheres chegam até ela por cumplicidade aos seus companheiros envolvidos com o tráfico. Muitas são mães e possuem forte ligação emocional com os filhos e grande sensação de perda e isolamento.

Segundo Stella Kulaif Moreira, a superlotação e o déficit funcional são os principais problemas enfrentados pela funcionária prisional. Para ela, a dupla jornada enfrentada pela mulher também desgasta a ASP.

“Somos esposa, mãe, filhas. Nossas demandas em casa são praticamente infinitas. Não temos descanso. Na penitenciária, especificamente em Pirajuí, vejo mais do que coragem nas companheiras e por isso respeito o trabalho das agentes de maneira responsável. Conheço a realidade e resolvi lutar pela mulher servidora”, explica a diretora de base.

“Vamos além da nossa responsabilidade. As ASPs acabam sendo as ouvintes do desprovimento das presas, que muitas vezes querem apenas desabafar. A ASP acaba acumulando função de “psicóloga”, “assistente social” e “enfermeira”, além de assumir o cuidado de dois ou três postos de guarda”, relatou.

“Muitas companheiras acabam tão cansadas e doentes que saem de licença. Muitas vezes precisamos de apenas um dia de silêncio. Não temos. Temos nossas necessidades emocionais. Não conheço uma ASP que não faça uso de medicamento para depressão ou ansiedade, ou algo mais grave”, afirmou.

 

Necessidade da luta sindical

O SIFUSPESP entende que devido as mudanças políticas do país, um enfraquecimento sindical acabou acontecendo. Mas o SIFUSPESP, com sua nova diretoria, tem sido um dos sindicatos no país que tem apontado sua política sindical no sentido contrário, ou seja da luta, e estamos no momento de nos unir e nos fortalecer. “Nesta visita percebi que a categoria sentiu uma aproximação e uma esperança de que o sindicato esteja sempre presente, como pretendemos”, disse a vice-presidente  do sindicato, Márcia Barbosa.

“Organização e militância constante farão com que as ASPs sintam a presença dos representantes da categoria e representadas unam-se a luta, agregando força”, finalizou a vice-presidente.